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A História do Boeing 727 ( Parte 1 )

Escrito por Diêgo Monteiro | sábado, 1 de fevereiro de 2014 | 02:37

            Este artigo foi escrito para comemorar a passagem dos 50 anos do primeiro voo comercial do Boeing 727 que ocorreu no dia 1º de fevereiro de 1964. Uma data marcante para uma aeronave que até hoje levanta suspiros de antigos pilotos e entusiastas da aviação, até hoje é a segunda aeronave da Boeing mais fabricada, perdendo apenas para o 737. A primeira parte deste artigo descreverá como o 727 surgiu.



O Começo ( B727-100, -100C e -100QC )

Nos anos 50, o mundo via com bons olhos, o início dos voos de longo curso dos Boeing 707 nas cores da grande Pan Am de Juan Trippe, provando que a operação com aeronaves dotadas de motores a jato não era apenas possível, mas era também o futuro da aviação. A Boeing tinha acertado em cheio quando desenvolveu o 707, o resultado disso foi o crescimento explosivo do número de viagens aéreas. Outra vantagem, eram que os motores a jato reduziam o tempo das viagens pela metade com relação aos aviões turboélices como o DC-6 e Constellation. O Boeing 707 era o indiscutível rei das viagens internacionais dominado rapidamente este segmento de mercado. A partir daí, Eastern Airlines, American Airlines e United Airlines pediram que a Boeing desenvolvesse uma aeronave a jato capaz de voar rotas curtas e médias, já que, o Boeing 707 possuía grandes limitações em se tratando de pistas curtas e aeroportos não preparados. Então em fevereiro de 1956, começava a nascer o Boeing 727.




A Boeing teve que pensar como se comportaria esta nova aeronave, especialmente no seu tipo de missão, como por exemplo, ter de executar vários pousos e decolagens durante o dia, acessibilidade para as tripulações, apoios de solo, desenho do trem de pouso e asas, em resumo, desenvolver uma aeronave que fazia o oposto do Boeing 707, já que nos voos longos, as aeronaves voavam uma ou duas vezes por dia e já pousavam em aeroportos com toda a infraestrutura necessária. Então a Boeing levou simplesmente 3 anos para escolher o desenho que melhor se adequasse as novas necessidades exigidas pelas empresas aéreas, surgiu todo tipo de desenho, cauda em “ V ”, motores com diversas configurações, mas a equipe da Boeing optou no fim pelo famoso desenho com os motores na parte traseira da aeronave e com cauda em " T ". A Boeing também optou por utilizar tecnologias empregadas nos Boeing 707 na construção do 727 economizando assim, uns belos milhões de dólares no projeto, já que antes, os fabricantes praticamente financiavam sozinhos os seus projetos de aeronaves, sem ajuda de nenhum parceiro que fornecessem certos componentes que a Boeing não pudesse fabricar.


Um dos vários desenhos de como seria o Boeing 727

A asa do 727, era a menina dos olhos do projeto inteiro, ela é constituída de flaps do tipo Krueger com fenda tripla, sendo a primeira aeronave a utilizar este tipo de flap, novos desenhos de slats e bordo de ataque para a época foram introduzidos, além claro de um asa limpa de motores, que transformou o Boeing 727 numa aeronave capaz de pousar em pistas curtas com velocidades tão baixas como nunca se havia visto em uma aeronave a jato, pousando assim, em aeroportos onde nem em sonho o 707 pousava.

A asa do Boeing 727 em alguns detalhes


Como a aeronave fora pensada para voos curtos e médios, a mesma deveria fazer muitos pousos e decolagens durante o dia, isso influenciou muito o desenho do trem de pouso, é só notar o tamanho dos pneus do trem principal, essas características garantiram ao 727, a certificação da FAA como a primeira aeronave a jato a operar em pistas não pavimentadas.

Uma indecisão muito famosa no projeto do Boeing 727 foi à escolha do número de motores, as três companhias aéreas norte americanas que junto com a Boeing pediram o 727 estavam num impasse, a United Airlines queria um quadrimotor para poder operar em aeroportos situados em grandes altitudes, a American Airlines queria um bimotor já que ela operava com os quadrimotores Boeing 707 e finalmente a Eastern Airlines queria um trijato para as rotas que ela fazia para o Caribe, a configuração da Eastern foi a que agradou a todos os clientes, nascia assim, o primeiro trijato da história da aviação.



Os motores do 727 ficaram sob rsponsabilidade da Pratt and Whitney que desenvolveu o famosíssimo JT8D, um reator turbofan que era baseado no reator J52   ( JT8A ), este motor, tornou-se o primeiro da história a ser desenvolvido exclusivamente para um tipo de aeronave.


Outro fato curioso do seu desenvolvimento, é que a Boeing gastou mais de U$$ 30 milhões em testes de fadiga no 727, tudo isso, para garantir que a aeronave não tivesse de ser redesenhada em caso de falha de projeto, tornando-se assim, a primeira aeronave da Boeing a ser submetida por estes tipo de programa de testes, o que lhe garantiu uma boa longevidade, e cá estamos nós, em pleno século XXI com muitos exemplares do 727 ainda em plena atividade, ultrapassando de longe, os 20 anos que o fabricante estipulava para a sua vida útil.






Em agosto de 1960, foi iniciada a construção do primeiro protótipo e em 5 de dezembro do mesmo ano, foram formalizadas as primeiras encomendas, 40 unidades para a Eastern Airlines e 20 encomendas firmes para a United Airlines com opção de mais 20 aeronaves com um preço unitário de pouco mais de U$$ 4 milhões chegando a mais de U$$ 20 milhões no início da década de 1980, a previsão inicial de acordo com o estudo da Boeing era de que esse mercado precisasse de aproximadamente 250 aeronaves.

Foram necessários 4 anos de testes no 727 para que ele entrasse em serviço. O primeiro voo do foi realizado em 9 de fevereiro de 1963 pela aeronave de prefixo N7001U, depois se juntaram a ele o N72700, o N7002U e o N7003U, que juntos completaram os testes de certificação da aeronave junto a FAA em 24 de dezembro de 1963.



O primeiro protótipo do Boeing 727 que fez o primeiro voo em 9 de fevereiro de 1963, sendo entregue posteriormente a United Airlines em 1964.


Os clientes lançadores seriam a Eastern Airlines e a United Airlines, o primeiro voo comercial foi feito pela Eastern em 1º de Fevereiro de 1964 pela aeronave de prefixo N8107N  ( Foto da Capa ) voando de Miami para Philadelphia com uma escala em Washington D.C. Já em 6 de fevereiro do mesmo ano foi a vez da United iniciar seus voos com o 727. Nascia assim, a primeira versão que ficou conhecida como Boeing 727-100.

As três empresas que inauguraram o 727, notaram no dia a dia de sua operação, aquilo que elas realmente esperavam, vários recordes eram quebrados, a aeronave se mostrava confiável, dócil de comandos, não demorando muito a ser o queridinho das tripulações americanas e também dos passageiros. Muitas facilidades que dotavam o 727 impressionaram os clientes, como o fato da aeronave possuir uma fonte de energia própria, ou seja, foi a pioneira a ter uma APU, que permitia energizar a aeronave em solo com os motores desligados e fazer o acionamento dos mesmos sem a necessidade de uma fonte externa ( External Power ), equipamento que o Boeing 707 exigia. O 727 também foi à primeira aeronave dotada de escada própria e também a primeira aeronave a jato a ter apenas um ponto de abastecimento, ou seja, essas características qualificavam o 727 a operar em uma grande maioria de aeroportos não preparados, isso agradou a muitos clientes que só fizeram com que as encomendas do 727 crescessem, tanto no mercado norte-americano, como no mercado estrangeiro.




Com o mercado domestico praticamente dominado pelo Boeing 727, o fabricante lançou uma conversão que permitia o transporte de carga, essa versão ficou conhecida como Boeing 727-100C de Convertible ( Conversível ) que tinha três opções de configuração, a primeira para transportar 94 passageiros em classes ou 131 passageiros em classe única, a segunda com capacidade para 52 passageiros e quatro pallets com capacidade de carga para 22700 lbs ( 10927 kg ) e a terceira totalmente cargueira para 8 pallets com capacidade de 38000 lbs ( 17237 kg ), o cliente lançador do Boeing 727-100C foi a Northwest Airlines com o primeiro voo sendo feito no dia 23 de abril de 1966.



Neste desenho, é possível ver a indicação “ CARGO DOOR -100C ONLY ”, uma das modificações feita pela Boeing para que fosse possível a colocação das cargas na aeronave.


Logo após, a Boeing lançou outra versão do 727, conhecida como Boeing 727-100QC ( Quick Change ) de Mudança Rápida, que permitia que entre 30 e 90 minutos, um Boeing 727-100 que transportasse passageiros, fosse convertido em uma aeronave completamente cargueira, isso era possível através da paletização de poltronas, banheiros e cozinhas que assim podiam ser retirados rapidamente. O primeiro voo do Boeing 727-100QC foi feito pela United Airlines em maio de 1966.




Lembrando que a Boeing não produziu nenhum Boeing 727-100C ou -100QC de fábrica, o que o fabricante oferecia era apenas a conversão de aeronaves B727-100 existentes, essa conversão era feita com reforços no piso da aeronave, adição de uma porta de carga no lado esquerdo, além, claro, como já foi mencionado acima, pela paletização de poltronas, cozinhas e banheiros. Muitas empresas utilizavam estas aeronaves para transportar passageiros durante o dia, e a noite elas eram convertidas para voar com carga. Esta tática era utilizada, por exemplo, pela Transbrasil que se beneficiava das versões convertidas para seus voos durante o dia com passageiros e a noite pelos correios através da Rede Postal Noturna ( RPN ).




Ao todo, foram construídos 571 exemplares da série -100, destes, 407 serviram para o transporte de passageiros, os outros 164 foram convertidos pela Boeing, destes, 53 foram convertidos para a série C e os outros 111 foram convertidos para a série QC.

 Em breve, a Parte II





REFERÊNCIAS



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