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O Que Pode Significar a Distribuição Gratuita do Windows 10

Escrito por William Santos | quarta-feira, 18 de março de 2015 | 15:58

Primeiro a notícia de que Canonical e Microsoft firmaram uma pequena parceria, e o Ubuntu daria suporte (em servidores) a parte de um produto da Microsoft. Agora a informação de que o novo Windows será "freeware". Distribuído gratuitamente pra quem quiser usar.

De fato muita coisa está mudando na Microsoft. E boa parte destas mudanças estão relacionadas a mercado. Se por um lado o uso de software livre em servidores da empresa não é nada espetacular, pois a Microsoft também investe em Linux, através da Linux Foundation, a mudança de atitude em relação a distribuição do Windows no mercado mostra que a empresa do Bill tem acordado para os novos tempos.

O debate entre Windows e Linux é longo, entediante e pilhado de preconceitos e superficialidades. Quase nada técnico é levado em conta, o fanatismo costuma dominar. Mas quando duas notícias num curto período envolvem pilares tão fundamentais -- para os fundamentalistas -- como aproximações claras da Microsoft com empresas que crescem através de software livre e a liberação do Windows pra uso, sem a necessidade de comprar uma licença, então começamos a jogar um pouco de racionalidade à nossa frente.
Trollar o Windows ainda é um esporte bem ativo na web...
Em geral se diz que Linux é questionável por ser livre e isto significaria que "ninguém poderia lucrar com ele". O que não é verdade, em relação a lucrar. A Google lucra alto com o Android, que é baseado em Linux, ícone do software livre. A Canonical é uma empresa séria que tem faturado uns bons trocados também. A Red Hat tem contratos com o governo norte americano e forças armadas, faturando uma boa nota há décadas incluindo o fornecimento de suporte a empresas que adotam software livre. Para alguns, se uma empresa desenvolve uma ferramenta e não cobra por ela, distribuindo-a gratuitamente, então esta empresa está fadada ao desastre, pois não vai conseguir se manter. A forma de financiar o desenvolvimento de software então seria uma só: vendendo licenças de uso. Acontece que está é uma das formas, mas não a única forma.

Provas de que uma empresa pode ser próspera sem necessariamente cobrar do usuário de seus serviços pelo acesso aos produtos que oferece está na Google. O carro chefe da empresa é o serviço de busca, que está entre os mais sofisticados -- dispensando um longo texto de apresentação. O usuário da ferramenta não precisa desembolsar nada pra ter acesso a ela. Mesmo assim a Google é a empresa que consegue 50 bi de Dólares anuais em seu faturamento.

A web possibilitou que modelos como o do Google se tornassem mais interessantes do que a velha forma de lucrar, com venda de chaves de licença pra uso de softwares. Reunindo dados dos usuários e investindo em outras ferramentas, que direcionam publicidade sob medida, a Google encontrou o caminho do sucesso e acabou diversificando ainda mais a gama de produtos distribuídos entre seus usuários.

Numa linha semelhante, empresas como a Canonical tem usado software livre para desenvolver sistemas operacionais de alta qualidade que chegam gratuitamente aos PCs de seus clientes. O Ubuntu, o principal produto da Canonical, traz em si serviços de oferta de produtos personalizados para os usuários. Algo bem semelhante ao Google Adwords. Além disso a empresa também presta suporte e desenvolve outras coisas. Recentemente o Ubuntu Phone foi lançado, entrando no mercado de smartphones um pouco tarde, mas com um sistema robusto e bastante honesto que certamente terá algum peso no mercado.

Vender licenças de uso já não é a forma mais inteligente e fácil de lucrar. O que a Microsoft tem feito hoje é buscar as outras formas de lucro que envolvam o aproveitamento de softwares livres, pra redução de custos e distribuição de produtos gratuitos para aumento de participação no mercado entre usuários que vão acessar serviços onde anunciantes pagam caro para aparecerem. Neste novo cenário comercial, as empresas com mais clientes são as que mais se dão bem, pois assim como as redes de TV com maior audiência vendem espaço de publicidade por valores mais altos, aquelas que conseguirem alcançar maior clientela terão seus espaços mais valorizados. E qual a melhor forma de alcançar isso se não for distribuindo ferramentas grátis, como se fossem brindes?

Demora para a Microsoft enfim se curvar a esta realidade, mas ela começa a dar passos nesta direção. Por trás da atitude da empresa parece estar o receio de perda de mercado na China. O país extremamente populoso que poderia migrar completamente de sistema operacional, largando o jurássico Windows XP e adotando Linux. Isso mesmo. A Canonical desenvolveu uma versão do Ubuntu quase exclusiva pro mercado chinês focando na dificuldade que os chineses tinham de substituir o Windows XP por versões mais atualizadas do sistema operacional da Microsoft. Como a maioria das máquinas na China rodam o WinXP pirateado, a substituição por um Linux gratuito, moderno e bem desenvolvido faz sentido. O anúncio de que o Windows 10 será dado de graça até para aqueles que tem o Windows 7 pirata, no mundo inteiro, segundo algumas publicações começa com uma proposta para a China que, tudo indica, a Microsoft resolveu estender para o resto do mundo.

Não se sabe ao certo ainda como será isso, mas já temos uma sinalização de que o Windows pode um dia se tornar realmente um sistema operacional cuja licença de uso pessoal é dada de graça. É possível que a partir dai algumas coisas se tornem mais claras aos que enxergam o software livre e gratuito como algo sem futuro. Afinal temos grandes empresas oferecendo serviços e ferramentas gratuitas e mantendo seus lucros. E temos empresas que fazem isto com software livre. Embora a distribuição gratuita de uma ferramenta não indique que esta seja livre, pois o que classifica um software como livre é a liberação total ao acesso ao seu código fonte (e isto nem o Google, nem a Microsoft permitem), geralmente o mercado de software livre é visto apenas como um mercado onde não se cobra pelas ferramentas desenvolvidas, ainda que seja perfeitamente possível cobrar por licenças de uso, mesmo com software livre. Com isso, o uso gratuito de um determinado software não o desmerecerá em relação a um cuja licença custe caríssimo (e que uma boa parcela acaba crackeando pra usar). Isto é bom para todos os lados, pois abre caminho para que pessoas comuns usem software original e com procedência, sem uso de artifícios perigosos, como keygens e cracks. Enquanto a disputa maior passa a ser pela melhor oferta de "brindes". Empresas que conquistarem maior público oferecendo suas ferramentas, terão melhores retornos. Pouco importa se o software será proprietário de uma empresa, ou livre, o que importará é o quanto ele é acessível ao grande público e útil.
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